Confira a programação de agosto do Cineclube CDCC

Com sessões gratuitas aos sábados, às 20 horas, o Cineclube do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP, em São Carlos, promoverá a seguinte programação no mês de agosto de 2018:

4 – AMOR E RAIVA
Amore e Rabbia, Itália, 1969, Antologia, 102 minutos
Direção: Marco Bellochio, Bernardo Bertolucci, Jean-Luc Godard, Carlo Lizzani, Pier Paolo Pasolini
Elenco: Tom Baker, Julian Beck, Jim Anderson
Em 1969, quatro diretores italianos e um francês lançaram no Festival de Berlim uma coletânea que na época foi chamada de Evangelho ’70 e mais tarde ganhou o nome de Amor e Raiva. Como o nome original indica, a intenção era representar temas cristãos bíblicos em um contexto moderno não-religioso. O longa é composto por cinco sequências menores:
A Indiferença, dirigido pelo não tão conhecido Carlo Lizzani, se passa em uma cidade grande e movimentada. Em meio ao clima caótico, vemos dois acontecimentos: uma mulher sendo violentada enquanto é observada por alguns moradores indiferentes e um casal que, após um acidente de trânsito, chama, em vão, por socorro. Esse segmento é claramente inspirado na Parábola do Bom Samaritano, em que Jesus conta a história de um homem que assaltado e espancado no deserto, é salvo por um samaritano após ser ignorado por religiosos da época.
Agonia, do premiado Bernardo Bertolucci, mostra um bispo católico próximo a morte. Esse é o trecho mais bizarro do filme, já que o clérigo tem a visão de pessoas de várias nacionalidades em um tipo de performance de arte moderna. Uma dessas pessoas conta a Parábola da Figueira Estéril, em que um agricultor afirma que se sua figueira continuasse sem frutos, ele a cortaria fora.
A Sequência da Flor de Papel, o ponto alto da antologia, dirigida por ninguém menos que Pier Paolo Pasolini, mostra o jovem Riccetto, que caminha feliz pelas ruas alheio as imagens cruéis que se sobrepõem ao filme. Deus fala com ele, afirmando que os inocentes são culpados por não enxergar a maldade no mundo. A inspiração vem do episódio da figueira estéril, em que Jesus amaldiçoou uma árvore por não ter frutos e a mesma secou.
O Amor, único trecho dirigido por um francês, Jean-Luc Godard, mostra um casal que observa outro casal conversando em dois idiomas distintos, a mulher falando francês e o homem falando italiano. Logo fica claro que a mulher representa a democracia e o homem representa o socialismo e, mesmo que se amem, eles não podem se entender. O segmento é vagamente baseado na Parábola dos Filhos Perdidos.
Discutamos, Discutamos, mostra um grupo de universitários discutindo sobre o marxismo e a Universidade. O último trecho do filme, dirigido por Marco Bellocchio, é, aparentemente, o único não baseado em nenhuma parábola bíblica.
Felipe Augusto Hencklain
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Tema: Coletânea
Contém: Nudez, sexo, violência

11 – O BEIJO AMARGO
The Naked Kiss, EUA, 1964, Drama, 90 minutos
Direção: Samuel Fuller
Elenco: Constance Towers, Anthony Eisley, Karen Conrad
Kelly é uma prostituta que viaja de cidade em cidade fingindo ser uma vendedora de champagne. Ao chegar na pequena cidade de Grantville, ela logo encontra seu primeiro cliente, o policial Griff, que após uma noite com Kelly, diz a ela que não quer prostitutas na cidade e a manda procurar emprego em uma casa noturna perto dali. A moça, no entanto, decepcionada e cansada do meretrício, descobre que há na cidade um hospital ortopédico para crianças necessitadas, que é mantido pelo homem mais rico da cidade, J.L. Grant. Kelly consegue se tornar enfermeira no hospital e logo se torna reconhecida por sua dedicação e amor pelas crianças. Em uma de suas festas, o próprio J. L. Grant acaba conhecendo e se apaixonando por Kelly. Quem não fica nada feliz com a mudança da ex-prostituta, é o enciumado policial Griff, que tenta acabar com o romance. Em meio a tudo isso, surge algo muito pior, um terrível segredo guardado por Grant.
O Beijo Amargo é um dos filmes menos conhecidos de um diretor também não muito conhecido, o judeu Samuel Fuller, que é mais lembrado por abordar a guerra em suas obras durante os anos 1950. Tendo ele combatido como soldado na Segunda Guerra Mundial, Fuller tinha uma relação muito pessoal com a temática que acabou se tornando sua favorita. Seu filme mais conhecido, Capacete de Aço, de 1951, foi o primeiro a abordar a Guerra da Coreia e a integração racial no exército americano. Na década de 1960 a carreira de Fuller já estava em declínio e seus filmes dessa época, entre eles O Beijo Amargo, são de baixo orçamento.
Fuller conseguiu superar o problema da falta de dinheiro trazendo assuntos polêmicos e pouco discutidos na época, para os cinemas. O Beijo Amargo, por exemplo, além de lidar com a prostituição, traz a tona o até então quase totalmente ignorado dilema da pedofilia.
Felipe Augusto Hencklain
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Tema: Redenção
Contém: Insinuação sexual

18 – ABANDONADA
Gli Sbandati, Itália, 1955, Drama, 77 minutos
Direção: Francesco Maselli
Elenco: Lucia Bosé, Isa Miranda, Jean-Pierre Mocky
A Segunda Guerra Mundial foi tão devastadora e trouxe mudanças tão profundas para o mundo moderno, que não é de se admirar o número de cineastas que resolveram representar essa época sombria da História. Filmes mostrando a ascensão dos regimes fascista e nazista, o nacionalismo exacerbado, o terror do Holocausto e os próprios combates são muito comuns para nós. O longa Abandonada também se encaixa nesse contexto, mas foca em um período muito pouco explorado no cinema: a queda do fascismo na Itália e o sentimento dúbio que tomou sua população.
A Condessa Luisa e seu filho Andrea se mudam para sua casa de campo, no interior da Itália, para fugir da guerra que acometia o país em 1943. Com eles moram Carlo e Feruccio, respectivamente primo e amigo de infância de Andrea. Os jovens vivem uma vida despreocupada, tomando sol e nadando, sem ligar para os rumores distantes dos bombardeamentos. Tudo começa a mudar quando, mesmo a contragosto de sua mãe, Andrea é pressionado a dar abrigo a uma pobre família de refugiados da guerra. Ele acaba se apaixonando por uma jovem dessa família, a operária Lucia, e mesmo após alguns conflitos, os dois formam um casal e Andrea finalmente começa a ver os horrores do mundo com outros olhos.
Quando Mussolini finalmente caiu e a Itália aceitou se render em 1943, a população italiana se dividiu. Eles continuariam sendo nacionalistas e defendendo o governo fascista ou aceitariam a trégua proposta pelos Aliados? Com as informações que temos hoje, a escolha pode parecer simples, mas provavelmente não o fosse para eles. No final, Abandonadaresume essa escolha entre manter os próprios privilégios ou abandoná-los em prol dos injustiçados.
Felipe Augusto Hencklain
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Tema: Guerra

25 – FRANTZ
Frantz, França/Alemanha, 2016, Drama, 113 minutos
Direção: François Ozon
Elenco: Pierre Niney, Paula Beer, Ernst Stötzner
É possível se recuperar de um luto profundo? Mais ainda, é possível perdoar e até mesmo amar o causador desse luto? Esse é o tema central de Frantz, que não trata propriamente do personagem Frantz, mas das consequências de sua morte aos seus próximos.
Após a Primeira Guerra Mundial, uma pequena cidade alemã está mergulhada na tristeza pela morte de seus jovens e no ressentimento contra seus inimigos, em especial os franceses. A jovem Anna acaba de perder seu noivo para guerra, o supracitado Frantz, e acaba se tornando como uma filha para os pais dele, os Hoffmeister. Anna vê sua vida tomando um rumo trágico, mas tudo muda quando ela encontra um jovem depositando flores no túmulo de Frantz. Se trata de Adrien, um soldado sobrevivente francês, que afirma ter sido amigo íntimo do jovem alemão em Paris, antes da guerra começar. Mesmo com certa resistência, Adrien consegue aos poucos se aproximar de Anna e dos Hoffmeister, conseguindo trazer de volta à família alguns momentos de alegria que não duram muito, já que ele não é exatamente quem diz ser.
Apesar de arrastado, Frantz se dá muito bem em representar o luto, tanto o individual, dos familiares, como o coletivo, sentido por toda uma nação. O preto-e-branco do filme é usado exatamente para esse fim, sendo inclusive substituído por imagens coloridas nos raros momentos de alegria dos personagens. Contribuem também a atuação dramática de Paula Beer como Anna e de Ernst Stötzner como Sr. Hoffmeister que, em uma epifania, percebe que talvez os principais culpados pela morte de seus filhos não fossem contra quem eles combateram na guerra, mas quem os enviou para lá.
Felipe Augusto Hencklain
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Tema: Luto
Contém: Conflito psicológico

O CDCC fica na Rua Nove de Julho, 1227, Centro.

Mais informações:
Tel.: (16) 3373-9772

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