“Vegano”: a nova tendência para assentos de carros de luxo

A fibra de carbono costumava ser melhor exemplo quando se tratava de demonstrar quanto poderia ser investido no interior de um automóvel. Um painel expansivo, painéis de portas esculpidos sob medida, um volante de US$ 1 mil no inconfundível travessão preto – e assentos de couro Nappa para combinar – telegrafavam para qualquer interessado que esse era um esportivo caro e único, de alguém provavelmente importante e, pelo menos, interessante.

Mas chegou a vez das plantas.

“Há 50 anos, um sofá de couro era o auge do luxo”, diz Massimo Frascella, diretor de criação da Land Rover e vegano praticante. “Agora, nos melhores hotéis e casas, você nunca veria esses sofás. Ocorre um processo semelhante com carros. No futuro, o design sustentável vai proporcionar a estrutura para a mudança.”

Frascella chegou a Manhattan durante o Salão Internacional do Automóvel de Nova York, que começou em 19 de abril, para apresentar a nova linha da Land Rover de materiais totalmente veganos e sem couro desenvolvidos para equipar os SUVs Range Rover Evoque 2020, Range Rover Velar e Jaguar I-Pace. “Há um número crescente de pessoas preocupadas com a procedência dos têxteis e materiais em seus veículos”, diz. Os novos interiores buscam atrair consumidores para os quais o mais luxuoso se alinha com suas crenças ecológicas.

O Eucalyptus Melange da marca, por exemplo – um tecido produzido a partir de fibras de eucalipto -, usa significativamente menos água do que os materiais tradicionais, como plástico e Alcântara, e pode ser tingido para combinar com qualquer cor do espectro. Também utiliza um componente de lã durável, da empresa têxtil Kvadrat, com textura de um suéter de lã macia. A Dinamica Suedecloth é uma microfibra antichama que imita a camurça e extremamente durável, feita de garrafas plásticas recicladas: 53 por veículo, em média, segundo a Land Rover. Juntos, oferecem uma opção vegetariana, quando não totalmente livre de produtos de origem animal, para os clientes de luxo conscienciosos.

Outras montadoras também estão incorporando opções ecológicas aos interiores. A Volvo disse que pelo menos 25% das superfícies à base de plástico em seus veículos virão de materiais sustentáveis, e não do petróleo, até 2025. A Toyota Motor fabrica material para assentos que utiliza glicol à base de cana-de-açúcar renovável, em vez de glicol derivado de petróleo. A Hyundai Motor utiliza rocha vulcânica nos revestimentos dos pilares de suporte de seus sedãs; a Ford Motor desenvolveu um assento de espuma de soja; e a Faraday Future combinou fibras de rocha e algodão de roupas descartadas para forrar os carros.

Marcas de luxo intensificaram seu fascínio. No inebriante mundo de SUVs de US$ 250 mil e híbridos na casa de seis dígitos, é compreensível que os interiores sejam luxuosos e sustentáveis.

“Isso faz parte de uma tendência global mais ampla que continuará crescendo”, diz Filip Brabec, vice-presidente de gerenciamento de produtos da Audi. “Tem a ver com os consumidores entenderem cada vez mais as implicações de como habitamos o meio ambiente, e como e o que comemos.”

Apenas o couro sintético movimentará um mercado de US$ 45 bilhões até 2025, segundo a consultoria de negócios Grand View Research, com as aplicações automotivas sendo o segundo principal uso dos têxteis renováveis, após o mobiliário doméstico. Neste cenário, “fontes responsáveis” e “alternativas premium” são as palavras-chave.

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