Acordo com União Europeia permite reset no Mercosul, diz Marcos Troyjo

O acordo com a União Europeia será a chance de aprimorar o Mercosul, afirmou o secretário especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo. “Nos dá a chance de apertar o botão de reset do Mercosul”, disse em entrevista ao Poder360.

A meta é ampliar a liberdade para a circulação de produtos. Até carros estão fora hoje. A tarifa externa comum de 14% precisa baixar, segundo Troyjo. E deve-se promover a união energética. O Brasil assumiu a presidência do bloco na 4ª feira (10.jul).

Troyjo destacou que a assinatura do acordo com a União Europeia só foi possível por 1 alinhamento político inédito com viés liberal entre o Brasil e a Argentina, as maiores economia dos Mercosul.

“Mesmo nos anos 1990, quando Domingo Cavallo estava à frente da economia da Argentina, ele era considerado 1 neoliberal na gestão da moeda, mas em termos comerciais, não. Os argentinos eram muito protecionistas”, disse.

A aprovação do acordo pelo Parlamento Europeu e pelos legislativos dos países do Mercosul deverá levar até 2 anos. A parte comercial começará a ser implementada em seguida. Depois, os parlamentos de países europeus se pronunciarão sobre a parte política do acordo, incluindo itens como imigração.

Caso seja rejeitada por algum dos colegiados, essa parte terá de ser negociada novamente, mas a parte comercial, não, ressalta Troyjo.

Na avaliação do secretário, o Brasil tem de manter o ritmo de reformas se quiser aproveitar o acordo com a União Europeia. Senão, será como o México, que fez o Nafta, área de livre comércio com Estados Unidos e Canadá, e depois mais cerca de 40 acordos. Mas a economia não decolou.

O secretário afirmou que será necessário às indústrias se modernizarem para enfrentar a competição, mas que isso seria necessário também sem o acordo. “O modelo de industrialização que nós tivemos é a obra prima do fracasso dos últimos 40 anos, tem muito a ver com o nosso subdesempenho econômico”, afirmou.

O Brasil vai assumir em novembro a Presidência dos Brics, em uma cúpula em Brasília de chefes de Estado do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A ideia é ampliar o número de sócios do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento) para financiar projetos de infraestrutura.

Há hoje uma competição entre dois grupos de países: os mais ricos, que compõem o G7, e os principais emergentes, o E7. O Brasil faz parte do E7, mas também tem grandes chances de integrar como membro permanente a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), uma espécie de clube das nações mais ricas. “É 1 dos poucos países que tem trânsito em diferentes palcos”, disse Troyjo.

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