Estudantes da UFSCar desenvolvem aplicativo para Farmácia Solidária

Estudantes do curso de graduação em Ciência da Computação da UFSCar brilharam na edição 2019 do Prêmio LF de Computação, destinado a projetos estudantis de inovação que utilizem as tecnologias de informação e comunicação (TICs) para melhorias na sociedade: duas equipes da Universidade ficaram com o primeiro e o segundo lugares no IV Prêmio LF, entregue durante o Webmedia 2019 – XXV Simpósio Brasileiro de Sistemas Multimídia e Web. Principal evento da área no Brasil, promovido pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), o Simpósio neste ano aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, de 29 de outubro a 1º de novembro.

A equipe contemplada com o primeiro lugar desenvolveu o projeto “Remediando a sobra de medicamentos”, um aplicativo destinado ao gerenciamento de estoque e atendimento em farmácias solidárias. Os autores do projeto são os estudantes de graduação Alisson N. V. Amancio e Bianca G. Martins, junto com o mestrando Bruno de Mendonça, do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PPGCC), sob orientação de Cesar Augusto Camillo Teixeira, docente do Departamento de Computação (DC).

Teixeira conta que a iniciativa surgiu de uma demanda do Fundo Social de Solidariedade de São Carlos, interessado em montar uma Farmácia Solidária no Município. O docente explica que, como uma farmácia desse tipo é montada com doações – de empresas, outras farmácias, médicos e, também, de outros consumidores -, há uma série de necessidades diferentes das farmácias tradicionais, para as quais já existem softwares prontos no mercado. Exemplos dessas particularidades são a chegada de remédios avulsos ao estoque, com características próprias como, dentre outras, o número de comprimidos disponíveis (e não grandes caixas com várias embalagens menores exatamente iguais entre elas); a entrada de remédios próximos à data de vencimento, que precisam ser monitorados atentamente para retirada imediata do estoque caso esse prazo vença; e o atendimento a um público muitas vezes com baixa escolaridade, ao qual é ainda mais importante oferecer o máximo de orientações possível. Além do equacionamento dessas questões, estão entre os planos para o futuro a integração com redes sociais, para a busca de remédios não disponíveis, e a multiplicação do uso em uma rede de farmácias solidárias, para facilitar, inclusive, a troca de medicamentos de acordo com a demanda.

O segundo lugar no Prêmio LF ficou com o projeto “Picolê: Um sistema para criar e gerenciar atividades pedagógicas lúdicas”, desenvolvido pelos estudantes de graduação Gabriel T. Nardy, Mariana Silva, Matheus Silva e Rafael Saito, junto com Mendonça e Teixeira e, também, com Kamila Rios da Hora Rodrigues, professora substituta no DC. O desenvolvimento partiu de uma demanda da Acorde, associação sem fins lucrativos que atende crianças e adultos com problemas de saúde mental em São Carlos, por um sistema que permitisse, ao mesmo tempo, o cadastro e gestão de pessoas, agendas e atividades. Além disso, a solução desenvolvida permite que profissionais de Saúde e Educação criem com facilidade atividades terapêuticas e pedagógicas personalizadas para cada pessoa atendida, com arquivos de áudio, vídeo e imagens, diferentes graus de dificuldade e feedback das ações realizadas. Neste caso também há a intenção de tornar a plataforma mais genérica, para que outras instituições possam utilizar.

“Nós estávamos confiantes, pois os trabalhos foram muito bem planejados, em parceria com as entidades nas quais a demanda teve origem”, conta o orientador, lembrando que o LF do Prêmio vem do nome de Luiz Fernando Gomes Soares, docente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) já falecido, cujo trabalho na área da Computação sempre esteve próximo de questões sociais vinculadas às comunidades cariocas. Na UFSCar, Teixeira buscou imprimir este mesmo caráter de compromisso social à disciplina “Desenvolvimento de aplicativos para dispositivos móveis”, ministrada desde o início de 2018, na qual os projetos premiados foram iniciados. Próximo da aposentadoria, o docente conta que tem planos de criar uma organização sem fins lucrativos para dar continuidade ao desenvolvimento destes e outros aplicativos para entidades como as organizações não governamentais (ONGs), em parceria com a empresa Tokenlab Soluções Digitais, spin-off do Laboratório de Inovação em Computação e Engenharia (Lince), coordenado por Teixeira.

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